Setor da panificação incentivado a reforçar cereais integrais no pão

A FoodDrinkEurope, em colaboração com a Fedima, lançou um novo conjunto de orientações técnicas destinado a apoiar as pequenas e médias empresas (PME) na reformulação de produtos de panificação com maior teor de cereais integrais. A iniciativa surge num contexto em que ainda não existem definições harmonizadas nem um enquadramento regulamentar comum ao nível da União Europeia para este tipo de produtos.
O DOCUMENTO destaca, desde logo, os benefícios comprovados dos cereais integrais para a saúde. Ricos em fibra, vitaminas, minerais e compostos bioativos, estes alimentos estão associados à redução do risco de doenças como cardiovasculares, Diabetes Tipo 2 e cancro colorretal.
Ainda assim, o consumo na Europa continua aquém dos níveis recomendados, o que reforça a necessidade de aumentar a sua presença na dieta, sobretudo através de alimentos de consumo diário como o pão. Enquanto alimento básico na alimentação europeia, o pão assume um papel central nesta estratégia. O reforço do teor de cereais integrais nos produtos de panificação é apontado como uma oportunidade concreta para melhorar a ingestão de fibra e a qualidade nutricional global dos consumidores. Paralelamente, a crescente sensibilização para a saúde e nutrição está a impulsionar a procura por opções mais saudáveis, abrindo espaço à inovação e diferenciação por parte das PME. Contudo, a transição para ingredientes integrais não está isenta de desafios. As características técnicas das farinhas integrais — nomeadamente menor elasticidade da massa, maior absorção de água e produtos finais mais densos — exigem adaptações ao nível das receitas, dos processos produtivos e até dos equipamentos. Outro dos pontos abordados prende-se com o desenvolvimento de produto e a rotulagem. Na ausência de regras harmonizadas na União Europeia para alegações relacionadas com cereais integrais, as empresas são incentivadas a comunicar de forma clara o teor de fibra e o valor nutricional dos seus produtos, valorizando a transparência junto do consumidor. A implementação destas mudanças deverá ser feita de forma gradual. O documento recomenda a substituição progressiva da farinha refinada por farinhas integrais, começando por misturas parciais e evoluindo, a médio e longo prazo, para reformulações mais profundas, sustentadas por investimento em inovação e pela adaptação às preferências dos consumidores.
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